terça-feira, 7 de outubro de 2014

Enciclopédia Britânica Escola Online foi a que melhor definiu o Espiritismo para o leigo

Adorei o verbete que a Britânica Escola Online dedicou ao Espiritismo:



"O espiritismo é uma religião que acredita que a alma, ou o espírito, continua viva após a morte. O espiritismo surgiu na França em 1857, com a publicação de O livro dos espíritos, de Allan Kardec.

Crenças

A doutrina espírita baseia-se em cinco pontos principais: a existência de Deus; a imortalidade da alma, ou espírito; a reencarnação, pela qual as pessoas voltam a nascer depois da morte, para se aprimorar; a existência de outros mundos habitados; e a lei do carma, pela qual o destino de cada pessoa está relacionado aos atos que pratica.

Seus ensinamentos principais são o amor ao próximo e o amor a Deus, a caridade e a evolução do ser humano.

Não existe culto, ritual nem sacerdote na doutrina espírita. Segundo ela, todos serão salvos — alguns antes, outros, depois, de acordo com o progresso de cada um. O espiritismo não combate nenhuma religião.

O surgimento do espiritismo está ligado a diversos acontecimentos, mas o que se tornou mais conhecido ocorreu em 1848, nos Estados Unidos. Na casa de uma família com duas filhas pequenas, ouviam-se fortes pancadas no teto e nas paredes do quarto das crianças. Uma delas resolveu responder, batendo também; em seguida, obteve resposta. Essas batidas teriam sido dadas pelo espírito de um homem que teria sido morto naquela casa, muitos anos antes.

Diversos estudiosos avaliaram esses fenômenos, considerando-os verdadeiros. Entre os mais importantes estão Kardec e Flammarion, na França; Frederick Myers (que fundou a Sociedade para a Pesquisa Psíquica), Lodge e Wallace, na Inglaterra; Lombroso e Schiaparelli, na Itália; e Zöllner, na Alemanha.

Os espíritas acreditam na mediunidade, pela qual uma pessoa com percepção extrassensorial (acima do normal) — denominada médium — pode ver pessoas mortas e ouvir o que dizem, entre outras coisas."


Alguns termos mereceriam maior problematização: Espírito difere conceitualmente de Alma. Carma não é uma palavra espírita. Destino é uma palavra forte demais, cheia de história e peso, temos uma discussão pormenorizada sobre isso. "Ser salvo" é outra expressão que mereceria ser melhor explicada, mas, grosso modo, está excelente!

espiritismo. In Britannica Escola Online. Enciclopédia Escolar Britannica, 2014. Web,
2014. Disponível em: <http://escola.britannica.com.br/article/487834/espiritismo>. Acesso em:
07 de outubro de 2014.                              

sábado, 4 de outubro de 2014

Também perdi um filho

Antes desse pequenino que está aqui escalando minha perna, também perdi um filho. E soube quase agora que um grande amigo está passando por isso. O que dizer?

Ele pediu para não ligar, que ficássemos em oração.

Todas essas coisas que escrevo e falo, digam lá para que serve, para me fortalecer e às pessoas que morrem a cada dia, que têm seus entes amados mortos. De alguma forma muito intensa tentar fazê-las  acreditar, como se fosse óbvio, como se não desse para pensar de forma diferente, que o nada não existe. Nossos amores continuarão vivos e estarão bem. 

Consigo?

Claro que não. Apenas diminuo um pouco a dor de alguns. Preparo outros poucos para alguns reveses aqui e ali. A descomunal dor da perda que nos faz sentir o abismo de nossa mortalidade...

Chorei o meu primeiro embrião que não vingou e, no fundo, o que me consolou não foi nada de racional. Nada de lei de compensações ou de reencarnações. Fui chorar contra Deus para o meu melhor amigo. E ele me deu o ombro. Não ouvi quase nenhuma palavra do que disse. Mas, sua presença...

Chorei o meu pai que se foi. Precisei morder os lábios, curvar o corpo, gritar aos presentes que "aqui enterramos um homem que cumpriu sua missão". Sério, eu fiz isso! Ontem escrevi uma carta para ele, e mês passado, e há seis meses, e fazem sete anos...

Não me preocupo em partilhar esse texto com aqueles que encontram em meu blog um porto seguro. Quero deixar bem claro, rasgando essas minhas vestes, que sou tão homem, tão mulher, tão criança quanto vocês. O que não nos exime de tentar achar respostas, juntos.

Mas, por agora, a presença, o ombro, a oração... e a esperança.



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Kardec, o democrata



Hoje vou começar a postar aqui algumas faces de Kardec que não conhecemos. Na verdade, só conhecemos uma: o sisudo de barbicha e costeleta que escreveu um monte de livros sobre diálogos com Espíritos.

Vejam só essa aqui:
"Também não é a estes que nos dirigimos [aos recalcitrantes], mas ao público, juiz em última instância das causas boas ou más. Há no espírito das massas um bom-senso que pode falhar nos indivíduos isolados, mas cujo conjunto é como a resultante das forças intelectuais e do senso comum.” (R.E. set 1863, p. 384, FEB)
Isso é para aqueles que imaginavam ser Kardec um senhor que ficava consultando os Espíritos para qualquer coisa, entendendo que dos Espíritos partiam todas as verdades. 

O clima da democracia é outro. A pergunta maior é: "Se a verdade existe para além do sujeito individual, como ela poderá se objetivar de tal forma que seja válida tanto para mim quanto para o outro?".

No horizonte profético da bíblia, as pessoas responderiam: "Simples, basta que tenha sido dita por Deus pela boca de um bom profeta!". 

No horizonte democrático a resposta é: "Se a verdade conquista a opinião das massas, transcendendo os particularismos, ela se revelou universal por essa forma!". Já não é mais porque se revela imponente na boca de um iluminado, mas porque se revela consensual na boca de todos. 

O espírito da Verdade se manifesta pela boca do povo, unido. 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Sobre o medo que temos dos Espíritos



Uma colega de trabalho me fez a seguinte pergunta: "Venho sentindo muito a presença de Espíritos em minha casa. Às vezes tenho até medo de olhar e ver. Quando temos medo de ver o Espírito é porque ele é ruim?"

Não acho. Temos medo de quase tudo que nos é desconhecido. Muitas pessoas dizem que tinham medo de mim antes de me conhecer. Não que eu seja uma pessoa boa, mas não me considero ruim. Acho mesmo é que estamos completamente desacostumados com essa realidade espiritual ao nosso redor. 

Nossos últimos séculos corroeram a crença de que há Espíritos espalhados em todo o lugar, em tudo, em todos. Desencantaram o mundo, dizem. Mas, esse desencantamento possui conseqüências graves. Como que produzindo o seu contrário, o século das Luzes desemboca na era do extermínio das raças. Se você é uma ameaça para mim, basta que eu não te conceda o certificado de meu semelhante para que eu possa te exterminar. É quase como se fosse um não-existente. Se eu não te enxergo como merecedor do status de existente, facilmente posso te extinguir do meu quadro de possibilidades de vida. Falo do holocausto dos judeus, mas dos abortados também.

Entendem onde quero chegar? Se não pudemos matar os Espíritos, fizemos com que pelo menos fossem inverossímeis. O status de existente deles foi ridicularizado. E isso foi mais uma estratégia política-ideológica do que científica. Essa realidade espiritual-divina era usada para justificar poderes mágicos para classes nobre-sacerdotais que impediam outras classes de ascender ao poder. 

Tolice! Os Espíritos não conferem nem justificam poder à classe alguma. Eles, somos todos. É isso o que nos falta ver. Quando assimilarmos essa identificação visceral entre nós, ver Espíritos será tão natural quanto respirar. 

(Certamente, eu respondi para ela só aquele primeiro parágrafo em negrito. O resto desenvolvi aqui pro blog).

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

As pessoas que vivem em mim

Um amigo me pegou falando sobre o que acredito ter sido minhas encarnações passadas. Uma delas é sobre a que papai acreditava: ser eu seu próprio pai. 

Embora querendo respeitar minha crença, o amigo perguntava se eu não estava de má-fé,  deixando-me levar pelos condicionamentos que os outros colocaram sobre mim. Tipo, não assumir a vida com a autenticidade de tudo o que sou hoje, mas carregando o peso de tudo o que o passado diz que devo ser. Até mesmo justificando as atitudes pelas tais "encarnações passadas". 

Respondi carinhosamente:

- As minhas encarnações não me soam mais como justificativas, mas como álbuns cheios de fotos queridas. Aqui e acolá vou entendendo o animal que fui, o anjo que estou longe de ser. E vou reencontrando todas as pessoas que amei, que amo. Porque uma das mais fortes razões para eu acreditar em encarnação não é apenas não conseguir encontrar justiça para as aflições atuais apenas nessa vida, sem ceder à hipótese do acaso, mas, principalmente, de não conseguir encontrar razão suficiente de amar tanto e tão profundamente certas pessoas e não outras. 

Sobre meu pai achar que fui o pai dele, não me pesa de forma alguma. Fiquei sabendo disso depois que ele morreu. Ficou como a lembrança mais doce que guardo. Eu e ele, se revezando nos dramas da vida, tentando deixar crescer cada um por sua vez. 

A cena em que revelou isso para mamãe:

Entrei no quarto deles para pegar um dinheiro e sair com a namorada. Entrei e saí. Pedi quase sem pedir. Ela reclamou que eu gastava demais. Ele a silenciou, sussurrando: "Deixe! Ele trabalhou muito na roça para que eu conseguisse chegar onde eu cheguei..."

domingo, 7 de setembro de 2014

O batismo no Espiritismo



Não há. Não oficialmente, com manual de instruções. 

O Espiritismo não nasceu para oferecer novos ritos para o mundo. Kardec deixou claro em 1862 que o Espiritismo deveria servir de base científico-filosófica para todas as religiões que se sustentassem sobre a imortalidade da alma, cada uma devendo seguir seus ritos próprios, cada homem, o que lhe oferecia a sua religião. Devolver o cético à crença, eis o que Kardec considerava o grande feito dessa nova doutrina. 

O Catolicismo, particularmente, não só discordou dessa nossa função, como nos considerou ora mentirosos ora adoradores do demônio. Chegou a excomungar todo aquele que se confessasse espírita e continuasse freqüentando a missa. É que Kardec acreditava, no início, que, sendo o Espiritismo apenas a ciência que poderia embasar a crença, o homem poderia perfeitamente ser espírita-católico, espírita-judeu, espírita-árabe. Não se deu bem assim. 

Os tempos amadureceram. Ainda recebo cara feia de algumas pessoas quando me revelo espírita. A maioria, graças à Deus, me devolve um "é por isso que o senhor é tão calmo!". Tornamos o Espiritismo nossa forma de enxergar Deus e Sua criação, portanto, nossa religião. Mas, ficou ao encargo de cada um decidir como seriam os ritos que marcariam as grandes etapas da vida. Alguns traduzem o que a sua igreja anterior fazia para o contexto em que vive agora.  

Meu filho está prestes a ser batizado conforme os ritos católicos, raízes culturais e afetivas de minha esposa. Perguntaram-me se eu iria aproveitar e me batizar também. Respondi de pronto:

- Já sou batizado. 
- Mas, você não é espírita de berço?
- Sim, e já fui batizado. 

Geralmente, quando o espírita fala assim entra dentro de uma querela teológica que diz que Cristo, embora tendo se submetido ao batismo, nunca batizou, ou que nosso batismo já não é com água, mas com Espírito. Não é a nenhuma dessas formas de batismo a que me refiro quando falo assim. 

Pouco depois de ter chegado em casa, vindo da maternidade, papai convidou mamãe para a sala, deitou-me no berço, abriu o Evangelho Segundo o Espiritismo nas preces sugeridas por Kardec para serem proferidas a um Espírito que acabara de nascer e, em coro com ela, estendendo as mãos sobre mim, disseram assim:

"Meu Deus, confiaste-me a sorte de um dos teus Espíritos; faze, Senhor, que eu seja digno do encargo que me impuseste. Concede-me a tua proteção. Ilumina a minha inteligência, a fim de que eu possa perceber desde cedo as tendências daquele que me compete preparar para ascender à tua paz."

Sem festança, sem alarde, porque o velho não gostava disso. Com amor, com disciplina, porque era militar de carteirinha, entendeu agregar-me assim entre os encarnados, e assumir, por toda a vida, a responsabilidade de me preparar para ascender à paz de Deus. Foi assim que fez com minha irmã, será assim que, depois da missa, gostaria de fazer com meu filho. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O que é Médium

Uma médica está massageando o peito de um paciente cujo coração havia acabado de parar. Ela continua os esforços, mas diz para a equipe: "Vamos tentar mais quinze minutos, mas certamente ele não volta... (sussurrando) eu vi."

Uma senhora, dona de casa, está à missa e vê um velho simples, sem roupas sacerdotais, subir ao altar e abrir a bíblia. Partilha com o filho:
- Você vê aquele senhor abrindo a bíblia?
- Não há ninguém ainda no altar, mãe?

Uma jovem empresária chega em casa cansada, deita no sofá, liga a televisão no canal da novela. A cadeira de balanço se balança. Janelas fechadas, porta fechada. Balançado insistente. A moça repreende: "Se quiser assistir, assista quieto!".

Um rapaz está com a esposa em um quarto escuro em que ela espera para fazer um exame especial da cabeça. A mão dele formiga. Pede, então, emprestado uma caneta. Pega uma folha de papel qualquer e começa a escrever. Ao terminar: "Olha, amor, o que disseram pra gente!". A moça mareja os olhos e dá m beijo no rapaz. A técnica responsável por realizar o exame solicita gentilmente que ele se retire da sala. Ele devolve um beijo na boca da esposa e vai reler a carta na sala de espera.